Os jornalistas sempre tiveram seu lugar no mundo e um papel a ser desempenhado na sociedade. É certo que no passado mitos foram criados em torno do profissional, como o fato de que ele persegue insistentemente o furo, ou ainda ser quase um investigador atrás de fatos, provas e evidências que pudessem ser ligadas umas as outras.
Sim, o furo deve ser um objetivo (sempre que possível), porém as grandes reportagens oriundas de um furo são ínfimas no cenário atual. Sim, o jornalista deve investigar e checar informações, mas o trabalho de investigador é a da polícia ou do ministério público.
A única obrigação do jornalista é informar, e, informar bem, afinal é para isso que ele é pago. O romantismo deixe para a parte teórica e na cabeça dos alunos do primeiro ano em qualquer curso de comunicação social.
Infelizmente há profissionais que se sentem deuses e acreditam que suas opiniões são insubstituíveis, pensam no público como fãs e literalmente vendem a informação como produto, não que ela não seja (atualmente), mas se sentem como donos da informação, para não dizer da verdade.
Eugêncio Bucci em seu livro “Sobre ética e imprensa” afirma que:
É como se uma extensão da esfera pública penetrasse os domínios da empresa privada, fazendo falar aí dentro a voz do cidadão (o titular do direito à informação) por meio daqueles que a representam: os jornalistas. (BUCCI, 2000, p. 73).
Qualquer estudante de comunicação social que deseja se habilitar em jornalismo, não pode cair na tentação de achar que tudo pode e que a sociedade está a sua mercê. É justamente o contrário, ele é um servente na construção de um público melhor informado e por consequência equilibrado nas opiniões. É aí que consiste a administração de informações.
Não há como discordar de Bucci, embora deva saber que na prática não é desta forma que as cartas são dadas. Aquele velho ditado onde, manda quem pode e obedece quem tem juízo se encaixa bem neste contexto. O profissional é um empregado assalariado, sendo assim pode ser admitido ou dispensado como qualquer outro funcionário.
No entanto Bucci neste mesmo livro defende que a dignidade da profissão está acima dos objetivos imediatistas dos imperativos empresarias, cabendo a ao jornalista defender com próprio emprego.
Resta-nos acreditar na integridade dos profissionais bons, e torcer para que os dispensáveis sejam logo dispensados.
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| Fonte: Google imagens |

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